Duda

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Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil
Casada com a publicidade e amante do Jornalismo. Um alguém que torna-se um ponto de interrogação aos seus olhos. E que nada mais é do que algo que você ignora. Amo as letras,as imagens e o mundo das cores. Talvez por isso que o tão colorido das coisas até cegam outras. Talvez por isso , não sinto o preto e o branco que costumam me perseguir. Redação Publicitária é uma das minhas praias.

18 de enero de 2011

Sobre Reality Shows

Um dos fatos mais comentados ultimamente, como sempre, e era de se esperar é claro, é o Reality Show da Rede Globo, o famoso Big Brother Brasil.
Eu particularmente nunca fui muito fã deste programa, porém confesso que acompanhei a primeira edição. 
E com o passar do tempo outras temporadas foram surgindo, só que acabei percebendo que as cenas se repetiam, eram personagens repetidos de corpos diferentes.
Então teríamos o cara do mal, a menina pobre, um homossexual, um casalzinho bonito, alguns negros e a casa nova, sem falar é claro nas festas e na pegação geral.
Bom, o BBB11 é o fato do momento, ao menos nas redes sociais como o twitter.
Antes de começar o programa eu já tinha em mente que as pessoas escolhidas teriam certas “características especiais”. As escolhas foram : uma transsexual, um número maior de negros, vários modelos, uma bissexual, uma trissexual (o que eu não conhecia), sem falar é claro que o maior percentual de pessoas é da região do estado de São Paulo e do Rio de Janeiro. Ok. 
E começou o debate e a confusão, a sociedade brasileira de uma parte estava animada pelo novo programa e outra parte estava soltando a língua em cima da televisão aberta nacional.
É certo que pensamos na grande ilusão que a mídia causa, no poder que ela tem de informar e conduzir as coisas e os conteúdos. Sabemos que programas como este são de entretenimento e de certa distração para a família brasileira. De outro lado comentamos que estes programas deixam as pessoas burras e acabam acompanhando a vida dos BBB e deixando de viver a sua.
Pois bem, ultimamente tenho retomado alguns estudos de psicologia, filosofia e do ser humano em sociedade. Além disso, quem já estudou as teorias da comunicação deve conhecer muitas das ideias que já se teve sobre a audiência, como na época da segunda Guerra Mundial onde o rádio era utilizado como meio de calar a sociedade e fazê-la a obedecer ordens. Naquele época acreditava-se que a audiência era um alvo amorfo, sem reação alguma diante do que era enviado pelos meios de comunicação. Portanto, seres burros e alienados que não pensavam por si só. 

Mas quem estudou a fundo estas teorias sabe que elas evoluíram com o tempo e os resultados foram se tornando cada vez mais interessantes e consistentes. Quem faz comunicação sabe que a sociedade é composta de nichos, de públicos distintos, cada qual com seu modo de viver, com sua criação e com seu aprendizado que começa na infância. Sabemos também que cada ser tem uma personalidade única e repleta de gostos, atitudes e preferências. Deste modo, eu posso gostar de mpb, mas meu vizinho mesmo ouvindo minhas músicas escolherá o tipo de música que ele prefere para ouvir. Não serei eu quem farei com que ele goste das mesmas coisas que eu gosto.

Voltando a reflexão do programa, as pessoas que assistem o BBB nem sempre são alienadas como se diz. Confesso que já comentei esta besteira, mas analisando de forma diferente percebo que o bom de se ver algo como este programa é poder entender o que a sociedade busca, o que o ser humano busca e desta forma encontrar respostas e pistas para fazer algo novo e diferenciado. 

A psicologia estuda casos como o BBB, pelo fato da convivência das pessoas serem o centro das atenções e debates, pois o ser humano quando se encontra em um local diferente do seu, com pessoas que nunca viu antes, tenta se adaptar ao novo. Além disso, um confinamento faz com que as emoções sejam afloradas e salientadas na relação humana.

O fato de a televisão brasileira mostrar um programa assim, não é diferente de canais de locais como Estados Unidos, Reino Unido, Bulgária e Alemanha. Todos estes países apresentam programas quase idênticos ao BBB Brasil. Ainda no aspecto reality show vemos em canais como MTV, o tal “família MTV” dentre muitos outros que o canal apresenta. Também neste patamar, temos o programa “A fazenda” (o qual nunca vi). 

Outro ponto de destaque em toda essa discussão sobre programas como este, é a superficialidade dos fatos e das histórias. O que não podemos esquecer é que isso é passado todo dia diante da televisão, seja em um jornal de notícias, novelas, filmes e em muitos outros contextos. 

Não defendo este tipo de programa, mas aprendi a respeitar e percebi que ele serve de estudo quando se quer entender as relações humanas e as ações diante de situações inusitadas. Afinal, são estas situações que geram tanta discussão, e da discussão vem o pensamento e do pensamento a reflexão e consequentemente gera o conhecimento. O interessante desta bagunça toda é entender a reação das pessoas lá dentro e aqui fora e o seu modo de ver e viver a vida. 

Quem estudar um pouco vai começar a entender estes fatos e inclusive que os reality shows já estão na mesa de discussões de vários teóricos. O importante é abranger o conhecimento e estudar estas reações da sociedade, principalmente aos comunicadores que sempre devem estar a par do que a sociedade vive, como vive e o que pensa. 

É claro que existem muitos outros fatos de extrema relevância no país e o importante é estar atento a todos eles. Cabe a cada um fazer a sua parte e abrir os olhos da sociedade para todos estes aspectos.

3 de enero de 2011

Ser humano e suas buscas

Um passo diante do mundo e poderia olhar tudo lá de cima. Um abismo, um lugar não habitado onde ninguém quer cair e ficar por lá. Mas vem cá, nós sabemos o que tem lá embaixo? Seja o fim do mundo ou o paraíso é preciso saber.
 É preciso perceber que um detalhe pode valer mais do que qualquer coisa, do que muitas notas no banco e muitos bens materiais. Você passa a vida pensando no ter, no querer e no agora, enquanto eu aqui só queria ver o por do sol, queria sentir aquele abraço e nada mais.
Sabe que não me importa se eu ganhar o mundo ou perdê-lo?

Para mim não importa nada. Gosto da intensidade que ronda os seres e o seu ser, suas matérias e seus conteúdos, estes são os valores. Suas cores e perfumes, suas noites e dias.
Desejaria agora mudar o ponteiro do relógio e parar em um tempo exato, entre você e eu, ou então, no tempo envolvido naquele perfume de pele ao acordar ou ao adormecer, misturado à grama que serve de cama a uma longa noite.
Gostaria de sentir o ar que rodeia seus dias e essas coisas românticas que dizem por ai.

Sempre tive receio desse negócio chamado amor, como pode algo ser bom e ruim ao mesmo tempo? Como posso sorrir sem querer e em outro instante chorar e doer como um ser no fim da vida rastejando por um pouco mais de água, de ar. Como pode o amor ser tão necessário?

Querendo ou não você busca isso, em coisas simples e se não consegue procura em algum alucinógeno, algum álcool, algumas dessas paixões que fazem esquecer as verdadeiras paixões.
Querendo ou não o ser humano finge não querer, finge também ter medo de se entregar. E sabe que criamos barreiras para nossas próprias vontades?
Alguém me disse “quero amar, mas tenho medo", sabemos que amor por um final traz uma tremenda dor. Mas sabemos também que temos uma necessidade imensa dessa coisa chamada envolvimento. E aí vêm àquelas grandes estórias onde se prova de tudo, de amores de todas as cores, formas, tamanhos, línguas e sexos.
Depois disso, não se encontra nada e ainda se procura e aí procuramos o encaixe perfeito, as palavras perfeitas, o cheiro e a respiração que condizem com o nosso jeito de querer e de viver. 
O fato é que nada se encaixa não como nós queremos.
Aí você encontra o sexo perfeito e falta o amor perfeito. Ai vem à conversa perfeita e o beijo incompleto. Depois disso vem coisas superficiais, mas que para você é muito importante.

Você precisa de alguém perfeito, que sempre esteja perfumado, que sempre esteja sorrindo, que te dê liberdade, que te faça sorrir e nunca chorar e se chorar tem que ser de felicidade.
Sim, sim, você busca o paraíso, aquele paraíso que talvez esteja lá no fim do abismo, ou não.
Mas você quer a eternidade, você quer o sexo louco todo dia, o carinho exato, você quer que alguém entenda cada gesto seu, como se isso fosse possível.

O ser humano busca incansavelmente a perfeição e a calmaria, enquanto a vida é o caos.
A vida é uma melodia cheia de notas diferentes escritas em papel que vai se traçando aos poucos, por isso mesmo a vida não é feita de uma nota só, em um só ritmo e em uma só voz.
A vida não é afinada como aquele violino que você ouviu tocar e nem como a voz da moça bonita em cima do palco. Além disso, é preciso saber gingar, sim, ginga, movimento. E nesse movimento você pode cair, isto é, se ficar procurando a perfeição no que não existe.

A vida é o caos que alimenta os dias de ódio, de loucura, de desejo e de paz.
É tudo assim, não tem pausa não, não espere o momento feliz, que a vida seja repleta só de sorrisos, às vezes ela vem e te dá um soco no estômago, mas pra doer mesmo e para você perceber que o sorriso vale mais. Que a vida é bem mais complexa e movimentada do que o seu desejo.
Por que nada é como você quer, tudo é questão de ser fazer existir. 

Não basta querer a perfeição quando você não faz por si o necessário para isso. Não basta buscar, até porque quando você busca geralmente pouco encontra. Não faça buscas inúteis em um paraíso que não existe.
Você precisa dar visão aos detalhes. Dar visão aos detalhes que nem sempre são visíveis.

11 de diciembre de 2010

Trecho 1

Somos humanos, sim somos humanos movidos por tantas coisas.
Acordar, comer, viver, dormir, acordar, dormir, viver e tudo vai passando assim. 
Até que você se pergunta, qual o sentido? 
Ela acordou cedo e fez tudo o que podia, porque a vida passara correndo, outra vez, o verão estava chegando e todas aquelas sensações que ele traz.
Sentia-se um tanto quanto sem rumo, acendeu o cigarro, foi até a janela e a chuva caia lentamente diante de seus olhos, era como a vida que passava lavando e levando tudo. 
Sentia-se mal, por alguns instantes, sentia um embrulho no estomago e uma vontade dessas que dá de encontrar um novo rumo, um novo mundo, um novo lugar diferente dali.

Tudo foi levado pelas águas. Onde estariam aquelas loucuras sentimentais e todo resto?
Estava neutra, e por estar assim, não estava, não vivia. 
Doía não sentir, mais do que o sentir. 
Tudo doía, mas a dor da neutralidade nunca a feriu tanto, como aquela chuva que caía.

28 de noviembre de 2010

Essa coisa

Era tarde ou cedo demais para continuar a história. Eram barulhos, sussurros, loucura, cigarros e fins. Olhou nos olhos tantas vezes, se perdeu tantas outras que nada precisaria agora. Nada faria com que aquela vontade voltasse e aquele brilho nos olhos e toda aquela intensidade de antes. Perdeu, perdeu-se.
Acordar e tentar um novo momento, movido pela intensidade, sim, mas não aquela desejada de antes. Não aquela que sempre gostou. Uma intensidade insana que ao invés de ajudá-la a deixava pior do que antes. Descobriu então que nada tinha mudado, que seu coração tinha parado no tempo e que procurava sem fim encontrar o mesmo sorriso, os mesmos olhos e o completo que se deu em certo tempo.
Mais um cigarro, outra noite, mais alguém. E fim. As coisas são mágicas e intensas se é que você me entende. Você já se sentiu completo alguma vez? Já pareceu ter encontrado sua outra metade? Já fez loucuras com ela? Não contou espaço, tempo, distância para estar junto?
Não precisava demais nada, somente daqueles olhos olhando assim, completamente entregue ao instante. Um passeio na praia de mão dadas, poderia parecer brega, mas na hora não foi. Enfrentar preconceitos e ter por completo. Ver acordar, ver dormir. Sentir. Sentir.
O que acontece depois de tudo? Para onde ir? A vida deveria ter uma tecla, que explicasse tudo. Sinceramente, depois disso, perdi o rumo e não sei. Não sei demais nada e nem o que fazer dessa coisa chamada sentimento.

26 de noviembre de 2010

Morangos Mofados

Ando bem sem tempo para escrever grandes coisas neste espaço.
Porém, deixo uma partezinha de um texto lindo do livro Morangos Mofados de Caio Fernando Abreu...


"Como se fosses tu, assim, entras no teatro  e te chamam dentro do sonho e te convidam para fazer o papel do sonho de alguém, e dizes que nunca viste a peça e nunca leste o texto e nada sabes de marcações intenções interiorizações e te dizem que não importa, porque um sonho não precisa de ensaio."

15 de noviembre de 2010

Vago


Não sei. Mas dói. Sentada na janela pensava no fim do mundo, nas outras estações e em coisas que talvez jamais existissem. Doía tanto não entender. Doía o silêncio e aquele aperto na garganta que parecia preso e não saia de forma alguma. Nunca entendera isso, estes sentimentos que batiam assim de repente e se enfiavam em suas estranhas como facas afiadas que machucavam incansavelmente. E quando a dor parecia estar amena, um movimento voltava a mexer e fazer com que tudo doesse novamente.
Paixão, remorso, dor, algo assim, que não se pode explicar ou então derramar lágrimas?
Silêncio. Um silêncio que domina.
Pensar nela? Seria o próximo fim, era acordar e dormir. Dormir e acordar e o pensamento parecia impregnado, como uma doença que teima em permanecer apesar de toda tentativa de cura e se afundava mais no corpo como se quisesse permanecer eternamente.
Um cigarro, uma canção, a bebida que acabava do frasco e da mente e um novo dia de sol. Todos os segundos e uma borracha que não apaga o lado de cá, não apaga o rastro, o olhar e a vontade que de tão pura quis fazer tudo perfeito e foi quando perdeu um dos amparos e deixou as mãos ao vento.
Ela sempre sentira estas dores, por que afinal não se acostumar?
Estas dores eram constantes. Um dia lhe disseram que nascera triste, aceitara isso e por vezes colocava a culpa de tudo neste nascimento, a ser predestinada a tristeza tamanha. Outras vezes, pensou que fosse só invenção de sua cabeça.
Quis sair encontrar na noite outros abraços e sorrisos, outras conversas e outros olhares. Encontrou nas esquinas, nos bares, nas festas. Porém, a manhã seguinte era repleta de dor e ausência.
Ausência do que nunca tocou, do que nunca falou, do que nunca pode, talvez por medo, precaução ou coisas do tipo. Sentia falta. Mas do que serviria esta falta? Se nada voltaria atrás, se o tempo resolveu mudar a direção e seus passos ficaram vagos outra vez? Não queria ficar ali, mas não sabia exatamente para onde ir...

16 de octubre de 2010

Espera

- Não ela não virá- dizia ele em voz alta para ele mesmo ouvir e ninguém mais. O convite será negado como das outras vezes. Como das outras vezes me alimentará de vontades, desejos, carinhos, carências e irá embora, partindo assim como se nunca tivesse chegado. – Ela não virá, nem mesmo para escutar minhas poesias e histórias de amor que queria ter vivido e choros que queria ter chorado.
Ele sabia assim que ela não viria e isso não sabia se daria dor ou não, era sempre assim. Talvez já estivesse acostumado com essa solidão e se alimentasse de esperança por-um-amor-romantico-para-mudar-a-vida-as-vezes
Ele não sabia o que fazer fumou um cigarro, dois, três, pediu à moça que trouxesse algum álcool que lhe servisse de companhia ao menos.
Ele desacreditava das coisas, tanto que ultimamente a falta dela não causaria surpresa nenhuma, as pessoas não o surpreenderiam mais. Acompanhou a música que tocava no fundo do bar, mais um cigarro – Não, não devo insistir. Depois de um tempo – Queria tanto que estivesse aqui - E o telefone não toca, a outra voz não surge e a calma não passa. Ansiedade, angústia, perda, dor, canseira. – O que está acontecendo? Eu não sou assim, aliás, nunca fui!
Sem resposta alguma, ele queria não pensar, não lastimar e não querer. Pensava o quanto idiota era de esperar por noites de lua que nunca viriam, e viver naquela bagunça e jogos de sentimentos doentios e paranóicos. Queria fugir, fugir dali e não pensar mais.
E esse medo? E esse sentimento de que eu-não-sirvo-para-esse-mundo e de que eu-acredito-em-um-amor-que-não-existe, persistia.
Queria sair pela porta do bar que tocava um rock moderno, andar pelas ruas até que encontrasse um fim, um fim do túnel quem sabe. Cigarros, travestis, prostitutas, moleques usando drogas, uma vida estranha diferente dali.
Porém, não saiu, ele queria ficar mais, acreditar mais, naquele sentimento que se chamava não sabia o que e nem de onde vinha. Ele sabia que todas as vezes que a via era como se fosse a primeira vez de todas, era aquela simpatia de cara, de vida, de rosto, de querer estar sem saber por quê. E outra vez ele sentia aquela esperança - Quem sabe ela se atrasou perdeu o ônibus perdeu a carona, aconteceu alguma coisa... quem sabe – ele pensava.
Quem sabe, isso fosse mesmo invenção de uma cabeça que nada mais tinha para pensar e ficava fantasiando histórias enquanto os outros continuavam vivendo. Quem sabe seus romances e pensamentos fossem para livros e a literatura como essas que se passam aqui.
Resolveu ir embora. Fechou a conta, apagou o cigarro e andou pela rua. Noturna e fiel ao que sempre viu... Solidão, noite, vazio, tudo termina com um copo de vodka, um bar e uma rua vazia.